sábado, 27 de agosto de 2011


no terreno do conflito que mostra a face do medo de quem grita no escuro
sou seu ferro sua brasa na careta de quem vira seu desejo de insulto
não me diga que é verdade que é verídico ou sem mácula
essa falsa liberdade que sentimos se amontoa na verdade dos jornais
nas paredes de cidades espalhadas pelo mundo que tenta ser racional
pão e circo é pra agora,sem demora sem promessa sem suborno
mas não traz a arte pura da certeza que não vale pra pobreza arte não tem esse contorno
estamos metidos no olho do furacão de dentro da onda que rebenta
que atrapalha a cantoria de outros tempos nos ouvidos pelo rádio
mas o que ainda me contenta é ser feliz mesmo sem jeito de ouvir outra história
sem ter que esconder o grito de carros que passam nas ruas aos gritos
mas que trazem sempre o mesmo enredo pelos altos falantes das senhoras
dos senhores dos meninos, outros sinos que embalam a luz da noite pelos postos
por suposto eu sou um desses que esperam
que isso passe e que venha outra mais saudável.
fizemos uma caminhada com o sol no céu
não era o calor que temos no nordeste
mas tinha a sensaçao de ir a caminho do mar
o norte, nem se fala esse calor refestesse
o sabor de azul que todo céu traz no olhar
nossa caminhada ia se aventurando
em linhas da cidade que desconhecemos
mas que nos trazia tanta alegria
de chegar ao ponto como desejamos
sábado de sol parece com mamonas
mas já  aqui no sul esse refrão combina
demos longos passos pra limpar a pele
e assim sabemos mais desse lugar
gente simples outras pessoas seriam
mais um brasil pra eu saber de fato
nenhum livro nem um dicionário
traria esse saber que tomo por conceito
esse saber que está por dentro do contato
boa caminhada essa de fim de sol
começo de outra estrada
trilhos de trem que passam dia após dia
levando esse carvão para fazer passada
essa historia viva, nesse momento que descubro
outra cidade criciuma, outro lugar pra eu guardar
cheguei em casa com as compras lembrei de iracema
no cais bar na ponte no estoril história
das longas caminhadas do pirambú para a noite
pelas manhas amanhecidas
por horas e horas de frio pela madrugada
não frio nem nada era somente um aviso
esse frio de que falo é preciso
é saber caminhar outra área

sábado, 20 de agosto de 2011

sinto o cheiro do mar de iracema
poema que encanta a brisa
vento que encanta o mar
saudades da jangada lisa
que vai deslisando
...seu canto jeito de cantar
preciso de ti iracema
dos teus sonhos de infancia
dos teus peixes e sol
distante de ti sou poema
que vai revelando o destino de um só
seremos muitos ao teus pés
na ponte na prancha onde tú estás
reverenciando teu beijo
nas bocas que cantam
nos sonhos dos que amam

domingo, 14 de agosto de 2011

me dizes coisas e creio
que podemos mudar nosso verso
mudando o encanto do tempo
transformando o relógio o reverso
se esvazio me perco o recreio
...se preencho sou seco sem nada
o ponteiro só marca o momento
esse canto na rua da estrada
me dizes loucuras viagens
que esse meu prazer contamina
essa sina que encanta vontade
se dizes essas coisas lindas

terça-feira, 9 de agosto de 2011

agri-doce

sou o doce que teu amargo persegue
sou o amargo que teu açucar segura
não sou cordeiro em pele de lobo que gere
o lobisomem que engole essa criatura
sou tal amante na madrugada que esquenta
...o viajante ultra-solar das alturas
se sou morcego, cego nos dias sem prece
a imensa asa que rufla ao som da bravura
se me demito sou o poder da desordem
se tenho calma, vivo essa angustia que cura
minha semente jogada ao vento no campo
o agri-doce apontando o cetro pra lua

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

imitação

não gosto de comparações
cada um é cada um
e tem em seu interior sua alma viva
gosto do diferente
do que não imita
...gosto daquele que grita
do que vai longe sem dores
daqueles que são errados na mira
mas que acertam no alvo
que superam suas feras
dos que se metem no impossível
e se remetem á salvo
comparar é pra quem não tem identidade
que se acostuma com falsa verdade
nem cover nem imitação
gosto do novo que acende
qualquer cigarro no fogo
e que se doa a qualquer preço
mesmo que perca o jogo

domingo, 7 de agosto de 2011

pecado

não tenho medo do pecado
tenho medo de não saber dizer sim
de não poder de encontrar em mim
e me perder no meio do deserto
pecar é rezar para o nada
...que não te diz como fazer a estrada
e que te leva para ver o sol raiar
tenho medo de ficar preso ao vento e não saber voar